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A Culpa é da "Insônia"!
A conversa surgida em um churrasco de sábado à tarde em família, ficou adormecida, não esquecida nos dias passados; ressurgiu-me na memória nesta madrugada de insônia. Insônia justificada nas muitas horas já dormidas, castigo para quem cede ao sono cedo demais.
Em meio a tantos entendimentos sobre tantas coisas, falávamos lá no churrasco, da resistência ao novo, das dificuldades que temos em aceitar as mudanças inevitáveis, que sempre vieram e sempre virão. Obviamente, a questão cultural foi destaque na conversa, surgindo-me a oportunidade de  mencionar a peça  A Sagração da Primavera do Igor Stravinsky, que em sua estreia em Paris, em 1913, causou um grande escândalo, com vaias por parte do público provocando interrupções da execução. Era o início da Modernidade.
Lembrei-me da peça, pois na faculdade estudei sobre ela, e do que me lembro, ao ouvi-la naqueles dias, fiz o comentário de que a sinfonia parecia uma premonição do Stravinsky em relação à primeira grande guerra, que teve início no ano seguinte, 1914.  
Retornando para a minha madrugada, para a minha “insônia”, resolvi então ouvir novamente a referida sinfonia. Ouvi com mais cuidado, e a impressão que tive é a de que a Primeira Guerra foi um filme e a Sagração da Primavera foi a trilha sonora desse filme. Não é loucura imaginar que todas as trilhas sonoras de suspense que vieram nas décadas seguintes não sejam variações ou cópias da Sagração da Primavera.
A conclusão é que o mundo não para, que “o novo sempre vem”, que tentamos conservar tudo aquilo que acreditamos ser o bom e o ideal, sem nos atermos que, no meio desse “bom e ideal” existe muito lixo que precisa ser varrido da história; destaco entre esse lixo, a miséria, a fome, que absurdamente ainda assolam este nosso tão generoso Planeta Terra.

JV do Lago
Enviado por JV do Lago em 03/09/2024
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Comentários
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Dilucas
Somos um animal muito, melhor, extremamente complicado. O novo faz bem, se nos agrada muito, habituamo-nos à ele. Habituados desejamos repetir o hábito indefinidamente. Olha só o dilema. Como experimentar o novo de novo? A avareza e a indiferença são características do ser humano, o altruísmo e a empatia são outras, seguindo este raciocínio o leque é amplo. Um grupo tem sobrando do que o outro carece, a sua avareza somada a indiferença não lhe permite compartilhar do que lhe sobra. Já o outro grupo age completamente de modo oposto. Agora abra o leque e continue confrontando os opostos. E no meio de 8 bilhões de seres humanos até que a gente vive bem. Porque provoca a reflexão deixo este meu parecer. Parabéns! Curti a leitura.
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ELIE MATHIAS
Linda e maravilhosa crônica inspirada com o brilho da Insônia. Parabéns.
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Dartagnan Ferraz
Zé, absolutamente correta sua reflexão ao acordar cedo demais. Realmente precisamos jogar fora o lixo e lutar contra as dores do mundo. Saravá
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Mary Fioratti
JV, boa noite. Tenho muita dificuldade de aceitar qualquer mudanca, seja ela inevitavel ou nao... E com o tempo fiquei pior. Mas temos que entender que o perfeito mesmo eh nao nos determos no meio desse "bom e ideal". Voce tem toda razao... Um abraco, *Mary*
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Juli Lima
Bom Dia! Reflexiva mensagem! O Silêncio da noite, afrouxa os nós das lembranças... E no emaranhado das cordas do tempo, emerge o passado, para um reencontro... Bj poesia

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